quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Os novos números do desemprego

O Instituto Nacional de Estatística divulgou os valores do Inquérito ao desemprego, referentes ao último trimestre de 2014. Junto gráficos para se entender melhor o que resulta dos valores divulgados.

O desemprego em sentido lato - integrando parte dos empregados que gostariam de trabalhar mais horas e um conjunto de pessoas consideradas inactivas mas que gostariam de trabalhar - atinge ainda 1,2 milhões de pessoas. A sua evolução é determinada pela evolução do desemprego oficial que tem vindo a descer desde o 2ºT2013 e que tem sido posta em causa ultimamente.




Na verdade, a nova metodologia do inquérito ao emprego considera como empregados os desempregados que estão em estágios ou sejam objecto de políticas activas de emprego e que têm justificado parte significativa do emprego. Ou seja, os dados do desemprego oficial estão subavaliados. Veja-se o caso do 3T 2014: contando com as políticas activas, o número de desempregados seria igual ao do 2T 2012.

Mesmo tendo em conta esse aspecto, a taxa de desemprego em sentido lato ainda ultrapassa os 20% da população activa (alargada com os inactivos e parece ter estabilizado no último trimestre de 2014. Caso se integrasse o número de pessoas envolvidas em políticas activas de emprego, teria apresentado uma trajectória menos descendente. 
No emprego, mantém-se a criação de postos de trabalho, mas a tendência parece ter-se atenuado no 4º trimestre 2014. Grande parte dos postos de trabalho, refere-se a contratos a tempo parcial. E atente-se que esta criação de postos de trabalho não tem em conta o facto deste emprego estar sobreavaliado - porque integra os estágios e pessoas objecto de políticas activas de emprego.
Nos trabalhadores por conta de outrem, a maior parte desta criação de empregos é sobretudo de contratos sem termo, embora uma parte considerável são contratos a prazo.






São os serviços que estão a criar postos de trabalho. A agricultura e pescas continuam a perder postos de trabalho. No final de 2014, eram já 70 mil. Será realidade ou apenas um problema da amostra do inquérito de Emprego? Tempos houve em que os dados do emprego colocaram o emprego agrícola a subir, sem que ninguém explicasse porquê. E o problema estava na forma como inquérito era feito, avançando do centro da cidade para a periferia e, nalguns casos, apanhando população rural, nas cidades. O inquérito tem destes detalhes.

Mas, ao contrário do que tinha acontecido nos primeiros trimestres de 2014, o comércio sofreu forte contração, acompanhando o que se passa nos transportes e no alojamento e restauração. Estas actividades referidas no gráfico já estão a afectar a criação de emprego. Trata-se de actividades ligadas à procura interna da generalidade da população e que, nos inquéritos de opinião dos empresários, já davam sinais de abrandar e recuar mesmo. Ora, aí está o que se passa.


O que parece estar a contribuir para a criação de emprego são as actividades habitualmente tidas como públicas (o que coincide com o recurso a estágios pelo Estado), bem como outras actividades, nomeadamente ligadas ao sector financeiros e informação.





O ministro da Solidariedade referiu que a criação de emprego se deve à "resiliência dos nossos empresários" e às reformas laborais introduzidas pelo Governo. E que o aumento do desemprego se deveu a questões sazonais. Mas nesses caso porque está a descer o emprego criado quando comparado com o mesmo período do ano anterior?

5 comentários:

  1. Um amigo meu perdeu o emprego por causa do aumento do salário mínimo. Parabéns a vocês.

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  2. "No emprego, mantém-se a criação positiva de postos de trabalho"
    "A maior parte desta criação de empregos é sobretudo de contratos sem termo"
    Sendo assim o melhor é analisar o decréscimo do crescimento de emprego. E quando isso já não for suficiente, sugiro analisar a taxa de crescimento do acréscimo do crescimento do emprego. Pode ser que ainda seja negativa.

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  3. Caro anónimo,
    Tem razao. "criação positiva" é uma redundância :-) São vícios de escriba. E que usa muito derivadas.
    Mas não queria repetir-me face a outros posts. E pretendi ir ao encontro da tese oficial de que se está a criar empregos, o que parece ser um pouco limitado como análise.
    Mas posso lhe dizer o número de postos de trabalho criados e destruídos na última década e meia. Sempre dá uma ideia do volume de destruição:

    2001/2007 +26,2 mil pt
    2008/2010 -240,1 mil pt
    2011/2T2013 -512,5 mil pt
    2T2013/4T14 +137,0 mil pt
    2014 +22,7 mil pt

    vê o que estou a dizer? Fica prometido que não uso mais vícios de escriba.

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  4. O desemprego em Portugal está fortemente subavaliado devido a recolha de dados incorrectos.
    Um dos vícios de recolha de dados é considerar os indíviduos em estágios em situação de emprego.Para alem de falsear os resultados há que ter em conta a qualidade dos estágios.Além disso não se considera aqueles que já desitiram de procurar emprego. Também há a considerar os valores da emigração que voltou a números identicos aos da década de 60 do século passado.
    A adesão ao Euro deu origem a uma fuga de cérebros e de capitais.
    Temos também a considerar a desindustrialização que tem vindo a praticar-se progressivamente.
    Tal com aconteceu á Grécia está tambem a acontecer a Portugal Países em que a suas industrias têm vindo a serem sabotadas pelas forças dominantes da União Europeia. nomeadamente a industria de reparação e construção naval , matalo-mecânica ,etc.

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  5. "4 de fevereiro de 2015 às 15:29"

    eu perdi o meu emprego muito antes disso, nos muitos anos em que o aumento esteve adiado,

    parabéns a ti, escravocrata.

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