sexta-feira, 1 de novembro de 2013

«Não temos o direito de desistir»


«Nos últimos 3 anos, as medidas de austeridade retiraram cerca de 20 mil milhões de euros à economia em aumentos de impostos e cortes na despesa pública. Nesses mesmos 3 anos o défice não se reduziu mais do que 6 mil milhões de euros, enquanto o PIB caiu em mais de 7 mil milhões de euros e a dívida pública não parou de aumentar.
Criou-se menos riqueza, destruíram-se mais de 450 mil postos de trabalho, 30% de empresas estão em situação de incumprimento perante a banca, alastrou-se a miséria, a precariedade e a certeza de um futuro incerto. E, no entanto, a dívida pública portuguesa não é hoje mais sustentável do que era há 3 anos – pelo contrário. E é por esta estrada que o governo pretende prosseguir.
(...) A proposta do governo de Orçamento de Estado para 2014 aprovada pelos partidos da maioria é contraproducente, desonesta e cobarde. Mas também é esclarecedora sobre o que nos reserva a estratégia do governo e da Troika. Por muito grandes que sejam os bloqueios, não é tempo de desistir. É tempo de reforçar a acção política visando a construção de soluções de governação alternativas ao rumo de destruição do país.»

Da intervenção de Ricardo Paes Mamede (que pode e deve ser lida na íntegra aqui), no encerramento da conferência promovida pelo CDA, «Rejeitar o Orçamento - Afirmar Alternativas». Moderado por Sandra Monteiro, o debate contou com intervenções de José Castro Caldas, Mariana Mortágua e Pedro Nuno Santos. Demonstraram-se as verdadeiras causas da crise e analisou-se o OE para 2014, o orçamento que aprofunda o empobrecimento do país sem resolver nenhum dos seus problemas. E debateram-se caminhos alternativos, que exigem às esquerdas diálogo, estratégia, programa e coragem para travar o abismo austeritário em que nos encontramos.

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