terça-feira, 31 de julho de 2012

Ligações

Sabemos que os salários estão em queda no nosso país. Ao mesmo tempo, a taxa de desemprego bate novos recordes. Isto anda tudo a ser ligado por uma economia política da austeridade tão transparente quanto perversa: “novo Código Laboral reduz custo do trabalho em 5%”, calcula o governo. Cálculos por baixo, como se assinala agora que entra em vigor este instrumento de consolidação de uma economia já sem pressões laborais, graças ao desemprego de massas. O governo diz que espera efeitos positivos na criação de emprego a prazo e até manda inventar números e tudo. Esquece-se que os salários são um custo para as empresas, e nem sequer o mais significativo, mas também são uma fonte de procura, e bem significativa, além de que o seu crescimento, garantido por regras laborais exigentes, é um útil bloqueio à perpetuação de estratégias empresariais medíocres. A procura será externa ou não será, dizem. Ninguém cresce o suficiente com base apenas na procura externa sobretudo quando esta estratégia de transferência de rendimentos do trabalho para o capital está em curso à escala europeia, comprimindo o mercado interno europeu, e quando sabemos que os problemas de competitividade não têm origens salariais internas. A quase quadruplicação da taxa de desemprego nos últimos doze anos, período em que tivemos diversas alterações regressivas na legislação laboral, não será revertida com esta política de alterações cada vez mais atentatória da dignidade de quem trabalha. Pelo contrário, a austeridade recessiva e estas reformas fora do prazo estarão indelevelmente ligadas à destruição de emprego, à precariedade, à redução dos salários e ao aumento de pessoas insolventes, ao aumento das desigualdades. É o que dá termos um governo ligado a interesses tão medíocres. Um futuro governo que ligue ao mundo do trabalho terá de cortar muitas ligações perversas e de refazer outras mais profícuas.

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