domingo, 31 de julho de 2011

Leituras


O Expresso desta semana tem três artigos de economia política que vale a pena ler com toda a atenção.

O primeiro artigo é de Nicolau Santos – “Privatizações: quem os trava?” – e assinala a tremenda irresponsabilidade de se prescindir do controlo público de serviços públicos de rede cruciais, da rede de electricidade aos correios, condicionando as gerações futuras “em matéria de empregos qualificados, inovação, investigação e (...) segurança”. Santos parece ter alguma esperança que isto possa de alguma forma correr bem, chamando a atenção para o perigo de não se poder corrigir o que correr mal. Para corrigir o que correr mal, que vai ser tudo, um futuro governo de esquerda a sério terá de renacionalizar, como é óbvio. É por estas e por outras que desde o início deste blogue temos defendido um sector público robusto: Quem diz que as empresas públicas são ineficientes e desnecessárias não anda a ler jornais, porque devemos ter um sector público, a utilidade do see ou vender a república, por exemplo.

O segundo artigo é de Manuel Pinho – “Uns anjinhos ou muito pior”. Algo auto-congrulatório, mas severamente critico dos compromissos troikistas em matéria de privatizações do sector da energia, Pinho mostra algo de crucial através do exemplo da Dinamarca de Poul Thomson do FMI: como os países mais desenvolvidos ainda mantêm sectores estratégicos sob controlo público, ao contrário do que prescrevem as instituições internacionais para as periferias que se encontram sujeitas aos seus programas de desenvolvimento do subdesenvolvimento, através da pilhagem a que as elites locais chamam “ajuda”. A maior empresa de energia dinamarquesa é controlado pelo Estado em 77%, paga uma taxa de imposto de 40%, o seu CEO aufere menos do que Mexia e paga uma taxa de IRS de 60% e os trabalhadores elegem 1/3 do conselho administração, informa-nos Pinho. Outro mundo.

Do nosso mundo, o mundo do choque neoliberal, fala Alfredo Barroso – “Super-Álvaro e as doses de Caval(l)o”. É o mundo de países desfeitos pelas utopias de mercado, caso da Argentina. O economista argentino Domingo Cavallo, que agora dá conselhos sob a forma de artigos às periferias europeias, esteve por detrás de grande parte das decisões que geraram a catástrofe socioeconómica argentina. Álvaro Santos Pereira, que apresenta a história económica argentina de pernas para o ar no seu último livro, gosta das doses intelectuais de Cavallo. O país pagará um preço elevado pela transformação destas preferências intelectuais em políticas públicas.

10 comentários:

  1. marcou-me especialmente, a leitura que fiz da crise na Argentina...no inicio deste século, por questões de relacionamentos pessoal recebi em minha casa, um grupo de 3 médicas oncológicas que, ao abrigo de um apoio bilateral da UE, estagiaram uns meses no IPO do Porto...da crise na Argentina sabia nada, tinha ouvido de barriga cheia os blabla da TV…ora, a descrição "envergonhada" que elas me fizeram de viva voz, do que estava a acontecer no seu país, com a classe média (por pudor não falámos dos de baixo), com a intervenção monetarista do FMI era, para ser meigo, pavorosa...as receitas ali aplicadas foram as mesmas que agora reconhecemos na Grécia e a caminho de Portugal (juros altos privatizações a eito despedimento a granel etc.…etc.)...a classe média argentina pura e simplesmente desapareceu do mapa e não no sentido figurado …as famílias daquelas médicas de todas elas…tinham, em dois anos, sido obrigadas a regressarem às aldeias dos seus avós, tinham abandonado as suas casas e as suas cidades passando directamente, para o cultivo de hortas para comerem e não para serem ecológicas…os salários eram-lhes pagos, quando eram, com atrasos de muitos meses e o dinheiro nada valia…a fome e a miséria tomou conta dessa classe por inteiro…os filhos ficaram sem escola por falta de meios básicos na família…enfim, a sociedade regredia, a olhos vistos … assim também penso que, o cavalo do Cavallo deve ser levado e muito em conta e o aprendiz cavalleiro, ainda mais, pois esse toca-nos directamente...

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  2. Mas afinal de contas este não é um governo democrático.? Não foi escolhido pela maioria do povo deste país.? Parece que sim.!
    Mas será que este governo defende os interesses dos portugueses e de Portugal.? É claro, clarissimo, cristalino, que não venham quantos "cavalos" vierem dizer o contrário.
    As receitas aplicadas pelas troikas (a externa e a interna) são mais do mesmo e iguais ás que têm sido aplicadas por esse mundo fora desde há muitos anos e contra as quais toda a gente séria e de de bom senso não pode deixar de estar contra.
    Até muitos dos que votaram nestes fulanos já devem estar mais do que arrependidos.
    É que, afinal de contas, sairam de lá uns mas foram para lá outros ainda mais vendidos do que os anteriores e também mais aldrabões e amigos do alheio pois que socializam os prejuizos e privatizam os lucros.(por ex EDP, etc, etc).
    Enfim, esta gente, como os anteriores, são do pior que tem este país.
    Não admira, porém, pois os portugueses parece terem um gosto mórbido pela porcaria.

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  3. da rede de electricidade que é dispendiosa e ineficiente e se apaga com uma cegonha acho muito mal

    até porque quando se roubarem as subestações se forem privadas quem é que vai dar luz a Berbigão de baixo ou a atouguia dos berlindes

    ou aquele candieiro que me puseram para alumiar o pasto das vacas

    o queu agradeço quelas tamém têm fome à nôte


    aos correios, condicionando as gerações futuras “em matéria de empregos qualificados, nos correios ou pendurados em postes?


    inovação, investigação isso há tanta quinté deviam abrir universidades nessas ditas empresas

    e (...) segurança.....quanto a isso acho que dois quilómetros de cabos d'alta tensão vão perder alguns gajos que vão tomar café à custa de verificarem se algum milhafre vai a caminho dos ditos cabos

    a investigação já se foi para a Irlanda faz anos

    e a que ficou só se aplica aos umbigos das universidades

    salvo raros casos

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  4. marcou-me especialmente, a leitura que fiz da crise na cabeçorra do que passa por intelectualidade ..

    tal como a Irlandesa Chilena Argentina Britânica e outras

    não conseguem diferenciar situações económicas diferentes

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  5. Ou a semi-catástrofe, que ahorita mesmo fartam-se de vender hamburgueres aos chinocas

    foi culpa do FMI?

    malandros não deviam ter aceitado a ajuda

    já agora pediram ajuda porquê?

    era só fechar o país às importações

    falta de comida como nós não tinham

    tinham falta de gasoil

    mas isso era andar de bicicleta

    e fazer agricultura biológica

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  6. Não percebi bem...

    De qualquer modo a catástrofe chega a japões e restantes

    Chega a todos tarde ou cedo

    Todo o capitalismo tem crises e fomes

    Os restantes sistemas têm mais fomes e menos crises

    Quando inventarem um melhor disparem um beri-laite

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  7. O BlaBla é o ecotretas
    Ou o Che é o ecotretas?
    ou isto tudo são tretas?

    eis as questões

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  8. Os correios vis fuld størrelse

    in dinamarca...ainda vendem certificados de aforro e títulos de dívida

    e seguros

    os nossos além de despesa vão vender o quê?

    selos a filatelistas?

    vão competir com as livrarias do jumbo?

    só se for no roubo de livros...

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  9. A forma como este governo age e governa,como mente e aldraba,como manipula e rouba ...
    e só ainda têm pouco mais de 30 dias

    Querem ir mais longe que a troika

    Têm pressa...a liquidação mais cedo da dívida aos bancos alemães terá sido exigida por merkel?
    Ou o ódio a qualquer coisa que seja resquício do 25 de Abril é tão gritante?

    O caminho é só um.A luta contra este estado de coisas

    ( e a denuncia serena de um provocador que foi apanhado a fazer propaganda do nazismo:Os comentários 3 a 8 são da referida coisa)

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  10. A Direita é vingativa e raivosa pois que nunca foi vacinada contra a raiva.
    Com este governo vingativo e raivoso, ao bom estilo dos que nele sempre mandam, não tenhamos dúvidas que o país vai acabar por ser entregue na quase totalidade e a preço de saldo aos estrangeiros e de preferência, aos alemães e aos franceses.
    Isto, aliás, começou com o Prof presidente e continuou por aí fora.
    Estes são os patriotas que temos.
    Só que, com patriotas destes não precisamos de inimigos.
    Abaixo estes falsos patriotas que nos vendem, que nos roubam e ainda se riem na nossa cara.

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