terça-feira, 31 de maio de 2011

Colonialismo? Não passará...

A austeridade cada vez mais recessiva - a este ritmo a taxa de desemprego ultrapassará os 13% antes do final do ano -, como contrapartida de empréstimos a taxas de juro incomportáveis para salvar credores internos e externos, é incompatível com as escolhas democráticas, com uma economia civilizada, a sua base material? Pouco importa. Sacrifica-se a soberania democrática em nome da emergência económica, de um estado de excepção fabricado à medida de quem tem força.

Esta é a escolha do centro europeu para as subalternas periferias. A Grécia está apenas mais avançada neste processo: segundo o Financial Times, fala-se já numa intervenção externa "sem precedentes", que culminaria no controlo externo das privatizações e até da máquina fiscal. A este capitalismo de pilhagem já se deu o nome de colonialismo, uma invenção continental. Para já, em Portugal, diz-se que os partidos da troika deviam ter nomeado "comissários", uma significativa expressão, para começar a executar um plano inviável.

Os economistas do faz força que eu gemo andam por aí a fingir que isto serve os interesses do país, como antes diziam que a austeridade daria confiança e estimularia o investimento. Dizem o que for preciso, mas só conseguem fazê-lo com eficácia se não forem desafiados, se tiverem o monopólio de um debate transformado na mais grotesca propaganda. O que verdadeiramente me desgosta neste plano não é o papel dessa gente, dos Cantigas, Bessas e Duques, mas sim ver que figuras como Jorge Sampaio apoiam esta economia política. Um pouco de memória, por favor. A luta contra a austeridade é cada vez mais uma luta pela escolha democrática, por alternativas viáveis.

5 comentários:

  1. Já um "Comissário" não pode ir de férias para o Brasil que apanha logo com falta injustificada.

    Cromos do neo liberalismo tuga O AVÔ PINTELHOS

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  2. «mas sim ver que figuras como Jorge Sampaio apoiam esta economia política»


    Por aqui se vê a credulidade (e ignorância) deste blogue.

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  3. não ultrapassa nã

    há tanta gente a visitar os primos no Luxemburgo e na França que já não volta

    logo devem ter arranjado emprego algures

    e lá para Outubro uma carrada de brasileiros volta-se para outros lados
    presumo que se vão em Outubro por causa do frio
    que alguns ainda têm subsídio de desemprego até dezembro

    e uns biscates até Maio

    ou nas palavras do imortal Maury Renato do Ceará
    tirando o chopezinho e o prato de caracol cês não têm mais nada pra oferecê né....

    em Anapólis algures em Goiás também há obras
    pagam pior mas parece que vida é mais baratucha

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  4. Não é só Jorge Sampaio. O manifesto dos 47, "Um compromisso nacional", aparecido em Abril no Expresso, defende explicitamente "um compromisso entre o PR, o governo e os principais (?) pasrtidos, ..., com um consenso mínimo que deverá formar-se sobre ... a ú.ltima versão (4) do PEC".

    Entre as assinaturas, 47 iniciais e mais 77, figura Sampaio ao lado de Adriano Moreira, Alexandre Soares dos Santos, António Vitorino, Belmiro de Azevedo, Balsemão, Pacheco Pereira, Diogo Lucena, M. Fátima Bonifácio, etc.

    Mas também, espanto-me, António Lobo Antunes, João Caraça, Eurico Figueiredo, José Mattoso, Octávio Cunha, Júlio Pomar, etc.

    Mais, superespanto, figuras tradicionalmente conotadas com simpatias pelo PCP ou pelo BE; como Siza Vieira, Boaventura Sousa Santos, e até Joaquim Canotilho. Não dá para acreditar!

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