domingo, 26 de setembro de 2010

Modelos avisados...

"A Grécia tem um modelo para seguir e esse modelo é a Irlanda.” Jean-Claude Trichet, Presidente do Banco Central Europeu.

Os economistas do medo que cirandam por Belém, por São Bento e pelos lugares lugares cativos nas grandes empresas não são originais. Leiam o artigo de Larry Elliot, editor de economia do The Guardian, onde encontrei a notável afirmação de Trichet: cortes vincados na despesa igual a ciclo vicioso da recessão. Não temos medo da repetição.

10 comentários:

  1. Estamos fartos de falar na "alternativa" caro Carlos Alburqueque. Alternativas na realidade. Sugiro que faça uma busca pelo blog com as palavras UE, Europa, fiscalidade, política industrial ou económica, etc.

    ResponderEliminar
  2. João

    Estão fartos de falar mas nunca dizem de onde virá o dinheiro.

    Gostava também de perceber se vamos fechar as fronteiras a circulação de capitais e bens de forma unilateral e finalmente seria bom estimar se o resultado dessas políticas não seria muito pior do que uma quebra de 10 ou 20% no rendimento dos portugueses.

    Não percebo como se passa o tempo a invocar políticas, que seriam viáveis para os EUA ou a Europa como um todo, para serem postas em prática por um país com a dimensão e a reputação de Portugal.

    Embora até esteja teoricamente de acordo com diversos princípios aqui propostos, parecem-me completamente alheados da nossa realidade concreta.

    E as medidas de isolamento poderiam parecer muito bonitas, mas poderiam transformar-nos numa Cuba da Europa em menos de nada.

    Por isso tenho insistido em perceber se vocês pensaram em tudo até aos detalhes ou se se limitam a genéricas posições de princípio que na prática nos deixariam muito pior do que o sistema actual ainda nos virá a deixar.

    Quando vi a esquerda em Maio, num dos piores momentos da crise da dívida pública, aprovar o TGV, fiquei sem perceber se sabiam o que estavam a fazer.

    As dívidas para construir o TGV são sempre de todos os portugueses, mas parte do dinheiro sairá direitinho para fora do país para comprar tecnologia estrangeira. E do que fica será feita a divisão habitual: muito para os bancos, muito para os donos e quadros superiores das construtoras e algum para uns anos de trabalhos de alguns menos ricos. Não é também difícil perceber que não serão os mais pobres a viajar de TGV até Madrid. E no final aumentam-se os impostos e reduz-se o estado social porque o dinheiro não chega para tudo.

    Ou supõe-se que seguindo uma política de esquerda os recursos deixam de ser limitados?

    A esquerda sabe o que está a fazer?

    ResponderEliminar
  3. Concordo com esta observação de Carlos Albuquerque em relação ao TGV.

    ResponderEliminar
  4. O mesmo diria em relação às portagens nas auto-estradas. Saúde e ensino gratuitos, sim, mas auto-estradas, ainda por cima quando se fala tanto em defesa do ambiente e alterações climáticas, é contraditório.

    ResponderEliminar
  5. Mas que raio, nada dessa conversa sobre o TGV é linear como nos querem fazer crer:

    Esquecem-se sempre de que o investimento público, tem tido, e vários estudos o comprovam, um efeito muito positivo na economia. Tanto ao nível da sua rendibilidade como do seu efeito no investimento privado, que sai fortalecido. E isto acontece acima de tudo para a infraestruturas de transportes.

    Mais, o investimento público, regra geral, paga-se a ele próprio pelo efeito expansionista que tem no PIB. Não estou a falar especificamente do TGV, provavelmente preferia algo relacionado com reabilitação urbana ou assim, mas isto tem de nos fazer pensar. Nada disto é a preto e branco.

    Segundo, o amigo carlos albuquerque não foi ler nada do que lhe disseram que lesse, porque senão percebia que a alternativa dos ladrões não passa por nada daquilo que disse. Passa isso sim por políticas concertadas ao nível da UE por exemplo, de controlo de capitais, de investimento público, de renegociação das dívidas...Onde está cuba nisto tudo?

    ResponderEliminar
  6. Tiago

    Leio regularmente este blogue há bastante tempo.

    As políticas concertadas podem praticar-se quando há parceiros para as concertar. No contexto actual sugerir que a governação de Portugal passa por convencer os outros países a fazer o que quer que seja parece-me totalmente desligado da realidade.

    Se a UE não adoptou até agora outras políticas, também não as vai adoptar agora, só porque nós estamos em apuros.

    Assim, as políticas "de controlo de capitais, de investimento público, de renegociação das dívidas" teriam que ser desenvolvidas isoladamente. Poderíamos ficar contentes com a nossa coragem para enfrentar o mundo, mas não me parece que isso fosse ajudar-nos a obter bens estrangeiros pagos em moeda forte nem a conseguir colocar os nossos produtos no estrangeiro. Daí a comparação com Cuba.

    Estou a ler o relatório do RMF que deu origem ao post do Nuno Teles para perceber até que ponto foram consideradas as consequências do default.

    É que não vale a pena seguir uma política alternativa se a consequência forem condições de vida dos portugueses muito piores do que aquelas que resultam de reduzir o défice.

    Quanto ao TGV e ao investimento público, parece que devia ser óbvio que nem todo o investimento serve e por isso deveria haver sempre uma análise criteriosa.

    Se o investimento público consistisse em comprar um foguetão à NASA para fazer viagens Alentejo/Lua seria um mau investimento.

    O TGV não consegue passar na análise custo benefício e será sempre um problema financeiro. Aliás já está a ser pois já se está a construir a linha Poceirão-Caia, que se vai pagar mais cara do que o declarado inicialmente e que não vai servir para nada enquanto não houver o resto da ligação.

    ResponderEliminar
  7. Não há vontade política da UE em implementar políticas expansionistas e nós, quer queiramos quer não, estamos amarrados ao que a UE/BCE nos prescreverem, e eles só sabem prescrever austeridade, mm nas situações em que ela é contraccionista! Os economistas que apontam outros caminhos não têm espaço nos media, ou têm muito pouco!
    Há alguma razão, que não seja promover cortes sociais e ganhos para uns poucos no topo da pirâmide, para nos financiarmos a 6% aos "investidores internacionais" qdo os bancos compram liquidez ao BCE por 1%? Há alguma razão para querer equilibrar orçamentos agora qdo o necessário seria usar agora os déficits para estimular a economia? Note-se que falo da UE globalmente não apenas de PT que sozinho nada pode!

    ResponderEliminar
  8. O medo é uma arma poderosa. Uma mentira capaz de causar medo pode tornar-se uma verdade poderosa. Nem tudo são números, nem tudo são cifrões. Enquanto existir humanidade e criatividade existem alternativas.
    Que tal apostar numa colecta e taxação mais eficazes?
    Estive na Grécia recentemente e vi e fui impelido a comprar quase tudo sem pagar os devidos impostos. Assim nem os Gregos nem nós vamos lá. Mais que números é uma questão de cidadania.

    ResponderEliminar