terça-feira, 27 de outubro de 2026

Viva o povo brasileiro


Estavam a contar com uma pilhagem de recursos tão certa como a austeridade e a lei da bala que iriam impor. As contas saíram furadas aos especuladores. Tudo o resto são eufemismos ofuscadores e Deus sabe como até a melhor imprensa financeira é diabolicamemente ideológica quando chega ao Sul dito global. Este quer defender a sua soberania básica, pecado imperdoável.


A festa é realmente bonita, pá, mas só quando é poder do povo soberano, rumo à igualdade cidadã efetiva, à expansão, sempre coletiva, das liberdades a sério, a começar na autodeterminação nacional. E a beleza pode assumir diferentes formas institucionais na passagem do abstrato ao concreto. 


Tem a palavra António Nogueira Leite: “Com a vitória de Lula, o Brasil pode finalmente, resolver o problema da pobreza causado pelo capitalismo neo liberal dos últimos governos.  Parabéns e boa sorte”. Coitado, para lá da azia, é a ironia possível num economista neoliberal em fuga para a extrema-direita.


Entretanto, é preciso insistir contra os que confundem internacionalismo com cosmopolitismo: contra uma elite vira-latista, a bandeira nacional pertence às forças do progresso. Sim, o soberanismo, o patriotismo radical, o nacionalismo pela esquerda são a melhor bateria para alimentar a energia popular. 


Insistir sempre, persistir sempre: contra os elitistas de demasiados partidos, só o povo salva a democracia: mulher, negra e de classe trabalhadora do Nordeste, este foi o último reduto de defesa da democracia brasileira, da luta de classes democrática, fazendo reeleger um antigo operário e sindicalista que perdeu um dedo num acidente de trabalho. 

Termino, por agora, com um insuspeito historiador e teórico político liberal chamado Jan-Werner Müller; no seu livro Democracy Rules escreveu – “os que estão à procura de uma lição da história devem tomar nota: não é o povo que decide prescindir da democracia, mas sim as elites”. 

Sim, viva o povo brasileiro.

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