quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Onde estão, afinal, os «alunos de Crato»?


O contributo das medidas-chave de Nuno Crato para a formação dos alunos do PISA de 2015 é pouco mais que residual, tornando abusiva, se não mesmo ridícula, a tentativa de apropriação dos bons resultados de Portugal na edição desse ano, por parte do ex-ministro. Aliás, uma análise da amostra de alunos do PISA de 2015, realizada em 2021 por Maria João Gouveia, da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, mostra isso mesmo, assinalando, para o caso da Matemática, que cerca de 88% dos alunos envolvidos não tinham sido abrangidos pelas Metas Curriculares que Nuno Crato fixou para a disciplina.
Querendo prosseguir neste exercício simplista, que reduz a interpretação dos resultados ao efeito das políticas de um governo ou de medidas educativas específicas, acabamos por concluir que é nas edições seguintes do PISA, e sobretudo na de 2018 – marcada já pela queda dos resultados –, que vamos encontrar os "alunos de Crato". Isto é, alunos predominantemente abrangidos (PISA 2018), ou significativamente abrangidos (PISA 2022), pelos exames do 4.º e 6.º ano e pelas Metas Curriculares, entretanto substituídos, respetivamente, pelas Provas de Aferição (no 2.º, 5.º e 8.º ano do ensino básico) e pelas Aprendizagens Essenciais.

O artigo pode ser lido na íntegra no Público da passada segunda-feira.

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