terça-feira, 7 de abril de 2026

Um jornal crítico


[A] tempestade Kristin mostrou-nos que o Estado financeirizado se afadiga na publicitação de créditos e financiamentos, admitindo que a capacidade infraestrutural de operadores privados já não determina apenas quem tem energia e para que fins; determina quem tem acesso às infraestruturas e anuncia um futuro em que os eventos críticos serão experimentados ao longo das linhas de classe que já estruturam outros aspectos fundamentais da vida em Portugal. A Brisa, nas palavras do seu administrador, António Pires de Lima, não está «a discutir prazos nem metodologias nem nenhuma espécie de negociação de quem é o responsável por este custo com nenhuma autoridade». Pires de Lima não deixa também de lembrar que a empresa tem acionistas de diversas nacionalidades, dos Países Baixos à Coreia do Sul. O Grupo Brisa opera, ao todo, 1705 quilómetros de vias rodoviárias, com 23 autoestradas e 6 concessões: determina parte da resposta nacional a quaisquer eventos críticos com implicações logísticas. É, portanto, uma «entidade crítica» — categoria que entra, agora, na discussão política.

Luís Bernardo, O (des)controlo privado das infraestruturas críticas, Le Monde diplomatique - edição portuguesa, abril de 2026. 

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