domingo, 1 de fevereiro de 2026

Como se fosse um diário


Coimbra, 23 e 24 de janeiro 

- Sei que ele gostaria muito que estivesse presente na homenagem, desculpe estar a convidar de véspera. 
- Eu é que agradeço o convite, devemos-lhe muito e eu tenho mesmo pena de não ter conseguido participar no livro de homenagem, estava numa altura difícil, estar presente é o mínimo, lá estarei então às 11h30m. 

Breve conversa telefónica na sexta-feira, dia 23 de janeiro. É assim que se organiza, com cuidado. Foi uma merecida homenagem aquela que se realizou no majestoso Convento de São Francisco, num chuvoso sábado de manhã. Pensei em Melo Antunes e em José Medeiros Ferreira. Ele sabe porquê. 

Foi o primeiro recipiente do Prémio Justiça e Liberdade, instituído pelo quase secular Instituto Superior Miguel Torga, prémio que a partir de agora tem também o seu nome, sublinhando o cruzamento entre saber e responsabilidade cívica. Lembro-me do seu espírito académico-cívico incansável durante a troika, esse tempo de chumbo, mas intelectualmente tão clarificador, quando tive o prazer de o conhecer pessoalmente. 

No seu discurso, ele foi sombrio e luminoso, como as circunstâncias impõem, indo de Roosevelt ao Papa Francisco, passando por Bobbio e Varoufakis, da Constituição mexicana pós-revolucionária à Constituição da República Portuguesa de Abril, argumentado pelo entrelaçamento das liberdades, que devem ser igualmente partilhadas, com a justiça social e mostrando preocupações acutilantes com os impactos regressivos de alguns desenvolvimentos tecnológicos recentes. Uma lição de uma hora, como se fosse um improviso preparado. 

Ele chama-se Eduardo Paz Ferreira e é um intelectual social-democrata, antifascista imprescindível. Muito obrigado, Eduardo.

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