Como era de prever, a aceleração dos preços da habitação com a entrada do governo da AD em funções - provocando um ritmo de aumento sem precedentes do respetivo índice (+27%) - distanciou ainda mais Portugal dos valores registados à escala da UE. Se no 1º trimestre de 2024 a diferença era de 78 pontos, no 3º trimestre de 2025 passa para cerca de 129, afastando assim ainda mais o nosso país da média europeia.
Na crença obstinada de que os incentivos à procura e ao aumento da oferta são suficientes para resolver o problema, Luís Montenegro defendeu, no último debate quinzenal, que com as «medidas arriscadas» que o governo agora adotou, a «moderação dos preços», na compra e no arrendamento, «será inevitável», estando por isso disposto a «aguentar o embate do período de transição», até haver resultados. Um infundado ato de fé, portanto, reforçado pela evidência do efeito contrário que as medidas já adotadas geraram.
Além de a referência de «preço moderado» instituída pelo governo (2.300€ de renda mensal) constituir um absurdo face aos rendimentos das famílias (em 2021 apenas 2% dos alojamentos tinham valores mensais de renda acima de 1.000€), contribuindo para «puxar» todos os valores ainda mais para cima, o governo deveria prestar atenção a um facto: o aumento gradual da oferta nos últimos anos (de 7 mil para cerca de 25 mil novos fogos por ano, entre 2015 e 2024), não teve qualquer efeito na estabilização dos preços, que continuaram, pelo contrário, a aumentar.

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