terça-feira, 22 de agosto de 2023

A questão


Em Fevereiro, o governo anunciou um pacote de medidas para enfrentar uma crise habitacional que, não sendo nova, assumiu proporções verdadeiramente catastróficas. Os partidos da direita neoliberal, que não podem limitar-se a saudar, por estratégia de oposição, os incentivos fiscais e estímulos à iniciativa privada que o pacote contém, inventaram um suposto «ataque ao direito de propriedade» para desviar as atenções do essencial: o investimento especulativo no imobiliário é a causa do problema e impede o direito à função social da habitação.

Marcelo tem razão: este programa não resolve a nova questão da habitação. Mas as suas razões são sonsas ou mesmo equivocadas, dado que têm por alvo uma medida útil, a do arrendamento dito coercivo. No meio da ofuscação deliberada, sabemos quais são as suas preferências. Querem conhecer as razões para as insuficiências deste programa? Sugiro que leiam a economia mesmo política da habitação.

2 comentários:

  1. Como dizem os ingleses, a prova do pudim é feita quando ele é comido. Veremos no que isto dá. Por mim não dou nada por ele, mas é ver.
    Lá pelo Afeganistão têm um ministério da virtude e da prevenção do vício. Por cá vão precisar de um ministério de disponibilização de fogos de habitação e de prevenção da especulação.
    Cheira-me a que não vai passar de folclore. Aí por 2025 o governo descobre um ou dois prédios Coutinho desabitados ou lá perto, mesmo a cair, e vá de arrendamento forçado. Durante meses os jornais vão ter peixe gordo. Entretanto o problema da habitação agrava mas o governo pode bradar: estamos a tratar do assunto! Vejam o prédio Coutinho.À esquerda ficam sem argumentos e à direita é o daqui d'el Rei, o comunismo chegou.
    A demagogia é como o sal, tempera a comida. Dá-lhe mais gosto.

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  2. A solução a meu ver é muito simples: o estado constrói casas de habitação social em grande número como se faz na Europa e deixa os privados em paz. Aliás é tão simples que sinceramente não percebo como não foi feito.

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