domingo, 17 de novembro de 2013

Dois gráficos, a mesma história


Dois gráficos ilustrativos do sucesso da recuperação na Zona Euro numa perspectiva comparada. O primeiro gráfico de Paul Krugman compara a evolução da produção industrial europeia nos anos da Grande Depressão com a evolução da produção industrial da Zona Euro nos anos que já leva a sua presente crise. O segundo gráfico, via Câmara Corporativa, compara a evolução do PIB real na Zona Euro e nos EUA desde o início de 2008. A mensagem é a mesma: ao contrário da narrativa dominante até certa altura, segundo a qual o Euro seria um escudo contra a crise oriunda dos EUA (lembram-se de uma das muitas fraudes do euro-liberalismo?), esta zona monetária não passa de um sistema cambial rígido e disfuncional, tendo por efeito impedir a mobilização de instrumentos de política económica que nos permitam sair tão rapidamente quanto possível da crise aí gerada, em especial nas periferias particularmente atingidas, que isto do desenvolvimento desigual tem ainda mais força num quadro monetário austeritário. Romper com sistemas cambiais rígidos é também hoje uma condição necessária para superar a oscilação entre recessões profundas e duradouras e recuperações tímidas e breves: quando é que os países, em especial as periferias, tiram a ilação política destas histórias económicas?

4 comentários:

  1. Não vejo que sentido faça comparar a crise de 1930 com a atual. A procura que sustenta(va) a produção industrial é atualmente muito diferente. A sociedade europeia, muito envelhecida, idem. A concorrência de países terceiros, idem. O preço da energia, ainda mais.

    ResponderEliminar
  2. Não faz muito sentido comparar os EUA com a Europa. Os EUA são um país muito mais jovem, com uma população crescente, ricos em energia e em matérias-primas, com abundante espaço, e que naturalmente tem uma muito maior propensão a crescer economicamente do que a Europa.

    ResponderEliminar
  3. Pois é, pois é... realmente nunca se consegue um "ceteris paribus" perfeito, pois é... Que maçada.
    Mesmo assim, c'um raio, restam-nos as analogias, não é verdade?
    Os EUA, por exemplo, têm a Disneylândia.
    Já nós, por outro lado, temos o Luís Lavoura...

    João Carlos Graça

    ResponderEliminar
  4. Muito grave seria se a crise actual fosse um retrato fiel da crise dos anos 30. No entanto uma observação das causas subjacentes leva a que se possam verificar uma série de comportamentos, quer económicos, quer sociais, estranhamente paralelos.

    Podemos começar pela regulação. O que despoleta uma e outra crise é uma mesma ausência de regulação das actividades económicas, em particular dos bancos. Se há alguma coisa que a crise de 29 nos ensina, e acho estranho que tantas doutas vozes de economia não o vejam, é que os mercados não se regulam a si mesmos. Não o fizeram no passado, não o farão no futuro.

    Ainda no campo económico, a crise de '29 mostra-nos que um sistema económico baseado no consumo, não se restabelecerá de uma crise quando se corta na capacidade dos seus elementos consumirem. Ou seja, o total oposto das políticas de corte cego que nos têm regido.

    Se por um lado as crises não são as mesmas, ignorar siplesmente a de '29 é um erro crasso. Quanto mais não seja, porque as soluções do presente terão de ter uma semelhança, nem que seja ao nível dos princípios, com a do passado.

    ResponderEliminar