terça-feira, 20 de novembro de 2012

Histórias

Há dois anos e meio, Eduardo Catroga e Medina Carreira divertiam-se a choramingar pela presença do FMI e não hesitavam em dar a opinião para um artigo do DN escrito por Rui Pedro Antunes sob o título: “Se o país sair do euro corre o risco de falir como a Islândia”. Hoje, tanto um como o outro estão bem na vida, mas não será prudente começar a pensar fazer exactamente o contrário do que defendem?

Tem toda a razão Tiago Mota Saraiva: é sempre prudente fazer o contrário do que dizem estas figuras e aprender as lições dos que usaram todos os instrumentos de política ao serviço da soberania democrática para sair da crise, partilhando os custos do ajustamento com os credores, reaprendendo a controlar os fluxos de capitais e usando a política cambial para, através da desvalorização, corrigir desequilíbrios de forma relativamente mais rápida e com menores custos para quem trabalha.

Entretanto, Rui Ramos saiu em defesa de Jonet, inventando uma história sobre conspirações colectivistas nas redes sociais. Para Rui Ramos vale tudo menos reconhecer que uma camarada de lutas ideológicas revelou um desconhecimento preconceituoso demasiado óbvio de assuntos importantes. Poucos na direita mostraram tal intransigência, tendo de começar por reconhecer que Jonet não esteve bem antes de passar ao ataque. Jonet é um teste. Ramos passou no teste com distinção e tem um plano com pergaminhos históricos: inventar uma ameaça subversiva vinda da esquerda para tentar manter um bloco social unido pela defesa de um projecto político e monetário que, se não for alterado, poderá destruir as liberdades democráticas, e a sua base material, conquistas antifascistas. A pergunta de Pedro Lains é pertinente neste contexto: "É impressão minha ou em breve o euro vai ser declarado pela extrema-direita portuguesa como um desígnio nacional?" Desígnio à altura de quem sabe onde está a força para os seus projectos ideológicos, de quem tem um jeito inigualável para inventar histórias que os sirvam.

1 comentário:

  1. Caro João
    "A pergunta de Pedro Lains é pertinente neste contexto: «É impressão minha ou em breve o euro vai ser declarado pela extrema-direita portuguesa como um desígnio nacional?»."
    Sim, é verdade, viu um gato; não é impressão dele.
    Mas é uma observação que deve, ai, ser devidamente complementada, para sermos intelectualmente honestos: "pela extrema-direita, pelo PS e pelo Bloco de Esquerda".
    Também é verdade, não é? Também vi um gato, não vi? Também não é impressão minha, pois não?

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