quarta-feira, 21 de março de 2012

Desconseguir


Volto aqui para confirmar que a austeridade está a desconseguir. O gráfico (actualizado com dados de Fevereiro) representa as variações percentuais das receitas fiscais entre um mês e o mesmo mês do ano anterior (linha e escala da esquerda) e as variações percentuais do PIB entre um trimestre e o mesmo trimestre do ano anterior (circulo e escala da direita). Aí se pode ver que entre Maio de 2009 e Março de 2010 as receitas fiscais cresceram a par do PIB. Isso é o que é suposto acontecer em tempos normais. A partir daí, com o choque austeritário, o PIB começou a cair e as receitas fiscais continuaram a aumentar, primeiro muito, depois menos. Isto foi conseguido, como sabemos, à custa do aumento das taxas de imposto. Ficamos a saber ontem, com a divulgação da execução orçamental de Fevereiro de 2012 pela Direção Geral do Orçamento, que as receitas fiscais, depois de terem caido em Janeiro abruptamente, continuam a baixar.

A austeridade está a perder no seu campo. Servia para reduzir o défice e pagar aos credores. Esse eram os objetivos do jogo. As consequências – o desemprego e o empobrecimento - eram “danos colaterais”. O resultado são os danos ditos colaterais e ainda… a derrota no próprio campo.

Não cansa repetir outra vez: é preciso parar isto enquanto é tempo.

4 comentários:

  1. O fim do primeiro trimestre, com o valor apurado na colecta do IVA trimestral, vai ser o golpe final...

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  2. Não será caso para avançar para o castigo corporal dos responsáveis (já que as leis são inúteis) considerando-o "danos colaterais"?

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  3. A necessidade de um corte na despesa pública não é consensual (longe disso) na sociedade portuguesa.

    Independentemente disso, o mais curioso e interessante é que nem mesmo com um governo que enuncia a intenção firme de fazer diminuir a despesa ("obcecado", segundo a oposição), com maioria parlamentar (alargada, ainda que timidamente, ao principal partido da oposição), apoiado/obrigado por uma troika internacional, a despesa do Estado diminui. É como se tivesse vida própria!
    É isso um problema? Não sei. É pelo menos algo que merece alguma reflexão.

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  4. Não altera o fundamental, mas ou leio mal o gráfico ou em Fevereiro deste ano as receitas fiscais, "depois de terem caído em Janeiro abruptamente", em vez de "continuarem a baixar", aumentaram ligeiramente.

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