segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Contra a universidade, Lda.

Foi a primeira manifestação contra este governo. Na semana passada, cerca de quatro mil estudantes lembraram nas ruas de Lisboa a crise da universidade como serviço público: do atrofiamento do financiamento público às propinas como mecanismo de exclusão, passando pelos défices da acção social escolar ou pelo regime de "empresarialização" da universidade pública. O resto da minha crónica semanal no i pode ser lido aqui.

8 comentários:

  1. Aquela cena de pôr tótós com traje académico é que não está com nada

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  2. Não resisto a publicar aqui e no meu blogue a minha tradução dum texto de Diary of a Bad Year de J. M. Coatzee, que me parece muito a propósito:

    Sempre foi um pouco mentira que as universidades fossem instituições que se governam a si mesmas. Não obstante, o que aconteceu às universidades nas décadas de 80 e 90 não deixou de ser vergonhoso, já que, sob a ameaça de verem cortados os seus financiamentos, aceitaram ser transformadas em empresas comerciais, nas quais os professores, que anteriormente desempenhavam as suas funções em soberana liberdade, se transformaram em funcionários assediados pela obrigação de cumprir quotas sob a vigilância de gestores profissionais. A questão de os antigos poderes do professoriado poderem vir a ser recuperados suscita as maiores dúvidas.

    No tempo em que a Polónia estava sob o regime comunista, havia dissidentes que davam aulas à noite em suas casas, realizando seminários sobre escritores e filósofos excluídos do cânone oficial (por exemplo, Platão). Não circulava dinheiro, embora possam ter tido lugar outras formas de pagamento. Se quisermos que o espírito da universidade sobreviva, algo de semelhante terá de se realizar nos países em que o ensino terciário foi inteiramente subordinada à lógica dos negócios. Por outras palavras, a verdadeira universidade poderá ter que se mudar para os lugares onde habitam as pessoas e conferir graus académicos cuja única sustentação esteja nos nomes de quem assinar os certificados.

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  3. Vamos lá ver se não aparecem os mesmos de sempre a reivindicar a continuidade das propinas porque os meninos não se portam bem nas aulas, chumbam devido às noitadas e portanto precisam de muito "tau-tau" no rabinho e na carteira ...

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  4. estou aqui , croky...e sim , propinas como castigo por não cumprir com o que se vai fazer prá escola , parece-me muito bem. os papás que lhes paguem os passeios e o folclore , eu só quero pagar-lhes os estudos. e pago de boa vontade a quem quer de facto estudar.

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  5. Boa melga ! Mais nada !

    Aconselho-o a experimentar a palmatória.

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  6. Já agora, devíamos todos criar brigadas para controlar os meninos que vão pós copos e se baldam às aulas porque estão de ressaca.

    Qual desemprego, quais trabalhadores/estudantes não declarados a recibos verdes e pais sem orçamento para pagar estudos qual quê ! Temos é que estar atentos a essa gentalha que nos anda a roubar ...

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  7. Hacho que não deve confundir-se a questão do custo das propinas e acesso dos mais pobres à universidade -isso resólve-se com um sistema de bolsas adequado- , com uma maior profissionalização e, porque não, mais "empresarialização" da universidade pública. Evolução indispensável no mundo de hoje, na minha opinião.
    Saúde

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  8. croky....eu sempre apanhei bebedeiras (ainda hoje , às vezes ) , fumei coisas pra rir , curti buerere , mas ia às aulas , prestava atenção . e nos meses das frequências ? vida social igual a zero. ele há tempo para tudo : trabalhar , estudar e brincar. convém não misturar os tempos. era o que me dizia o meu pai.
    e estudei num país onde a 1º matrícula numa cadeira custa x , a 2º matrícula na mesma cadeira , custa x+y , a 3º ? ui , x+y+y . é sempre a subir. e é o que está certo.

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