quarta-feira, 16 de agosto de 2023

Para não parar neste querido mês de Agosto


Camarada eu ‘tou na estrada!
(Morreram muitos)
Pra’ escapar às tuas garras
(Mineiros vê lá)
Que me prendem e amarram
(Companheiro vê lá)
Ai eu nem te digo nada
(Como venho eu)


‘Tou a partir-me todo pa virar um bom partido
Tou a subir salários nem me juntei ao partido
Sinto os algoritmos a soprar a favor de mim
Se eu fizer o pedido eu acho que vai ser um sim

É impressão minha ou as canções de Pedro Mafama contêm dentro delas um povo, uma potência plebeia, amorosa e contagiante, que anda por aí e de que precisamos como de pão para a boca, até para contrariar o pessimismo militante e paralisante que grassa? 

Já não tinha uma sensação destas desde que ouvi pela primeira vez A garota não, um outro registo bem sei, mas a mesma vontade de cantar e de assim dar a ver. Tal como fez, numa outra arte, a sétima, Miguel Gomes, o realizador do meu filme português favorito, que vejo todos os anos no mês mais português, o da reunião assim eternizada, mas também o da separação saudosa. 

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