terça-feira, 5 de fevereiro de 2019

O dogma do orçamento equilibrado é o pior tipo de dogma que existe

A 5 de Fevereiro de 2019, com o défice orçamental próximo do zero e num ano de eleições europeias e legislativas, o jornal Público decidiu hoje fazer capa com uma afirmação que, em lato sensu, Paul De Grauwe vem repetindo, pelo menos, desde Maio de 2010.


Não teria sido um excelente dia para mais um editorial sobre esta matéria?

5 comentários:

  1. Plenamente de acordo!
    Negar a utilidade de um desequilíbrio que contribuísse para pagar dívida é muito estúpido.

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  2. Paul de Grauwe assinala um facto porém, a saber, o desequilíbrio deve ser posto ao serviço de investimento produtivo. Só que quando é que isso aconteceu em Portugal? Os investimentos têm sido, como reconhece o Economista Belga, mal feitos e toda a gente que quer aumentar o défice normalmente fá-lo para aumentar salários e pensões o que é muito nobre, mas não é sustentável com uma dívida a 120%...

    Por isso se calhar, até começarmos a aprender a gastar bem o nosso dinheiro talvez não seja mais nada má ideia essa das cativações...

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  3. Jaime Santos adopta o tom paternalista do avôzinho cantigas que ensina os perdulários netos a gastar o seu dinheirinho. LOL

    "Esquece" que numa situação neo-colonial em que graças à sobrevalorização do euro em relação à capacidade produtiva nacional são muito raros os sectores em que o investimento público possa ter efeitos multiplicadores junto dos investimentos privados.

    Para que iriam os privados investir quando a sobrevalorização do euro corresponde a um imposto à exportação altamente dissuasor? Mesmo os que conseguem exportar têm que cortar nas margens de lucro, prejudicando a sua rentabilidade e as suas hipóteses de crescimento.

    Quem duvide dos propósitos neo-coloniais do euro pode conferir os efeitos do Franco-CFA (que na prática mantém um "peg" ao euro) nas economias das ex-colónias francesas de África.

    https://www.indybay.org/newsitems/2019/01/08/18820183.php

    Boa leitura!

    S.T.

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  4. Como se sabe, as ideias económicas assentam sempre em assunções ideológicas que lhe estão subjacentes de forma, mais ou menos, clara. Uma das marcas indeléveis do discurso dos partidários da ideologia austeritária é a equiparação das finanças públicas às finanças de uma família para defender, errada e dogmaticamente, que ambos os orçamentos devem procurar saldo zero ou superávite. Num número de prestidigitação narrativa que se tornou recorrente, quando este fraco argumento cai (se vem um economista convencional, com reputação internacional e de impecáveis credenciais liberais diz o contrário...) a estratégia passa quase sempre por apontar o risco moral de uma política orçamental expansionista utilizando um discurso moralizante que aponta falhas do estado e dos poderes públicos enquanto varre para debaixo do tapete a questão do risco moral decorrente da socialização massiva das perdas associadas aos negócios ruinosos do sector financeiro privado. E é isto. A quem, se alguém, aproveitar.

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  5. Aproveita-me muito que me lembrem o papel do Estado na promoção da acção da banca ao longo dos últimos quase 45 anos.

    Desde as leis e sistema judiciário que transformam os gestores de empresas em potenciais vigaristas de sucesso, até à promoção do endividamento individual para sustentar leis de arrendamento idiotas, completado pelo estímulo à economia por todos os meios que um Estado incapaz não alcança.

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