quinta-feira, 21 de maio de 2026

O mérito de Cavaco


Esta semana, Cavaco Silva foi um dos galardoados com a recém-criada Ordem Europeia do Mérito atribuída pelas instituições da UE. A avaliação do que é meritório é sempre função de uma visão do mundo institucionalizada. 

No contexto institucional da UE, faz todo o sentido este reconhecimento, dados os serviços que prestou ao neoliberalismo, à causa da dependência nacional, ao longo da vida. 

O economista político aproveitou o prémio para defender a corrida armamentista “financiada” por um “empréstimo comum”. Uma vez mais, tem “mérito”, dada a acentuação belicista do neoliberalismo, rumo a um regime com o qual não se deu mal no passado. Entretanto, há sempre dinheiro para aquilo que os poderes dominantes querem fazer. 

O que não faz nenhum sentido, o que nunca fez qualquer sentido, é o facto de muitos dos críticos de Cavaco continuarem a depositar esperança na UE, criada em Maastricht, precisamente para blindar e aprofundar esta forma de economia política. Não têm mérito.

3 comentários:

  1. «O economista político aproveitou o prémio para defender a corrida armamentista “financiada” por um “empréstimo comum”»

    Cavaco Silva tem, pelo menos, o mérito da consistência: defende a dívida comum para financiar a NATO, como também a defendeu há uma década e picos para minimizar o impacto da austeridade nas periferias europeias.

    Não que isto seja grande coisa, mas é ainda assim, mais do que se pode dizer dos passistas no PSD...

    https://tvi.iol.pt/noticias/economia/eurobonds/euro-obrigacoes-cavaco-contra-passos-e-merkel

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    1. O Cavaco é um vira-latista tão ou mais perigoso que Passos Coelho, porque é um sonso: sempre soube que os poderes dominantes nunca quiseram "minimizar o impacto da austeridade nas periferias europeias", nem ele quis, apenas quis fazer parecer que sim. Enfim, o exemplo clássico de fazer o mal e a caramunha.

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  2. É de assinalar a necessidade dos déspotas europeístas em criar uma Ordem para galardoar os seus fieis capachos, e isto é mais um sinal da fase terminal do europeísmo, uma fase terminal que está a levar demasiado tempo para ficar concluída…
    A necessidade de recorrer ao belicismo daqueles que governam contra o povo é outro sinal da previsível degeneração antissocial e sociopata do neoliberalismo.
    Não nos esqueçamos, a guerra na Ucrânia tem sido utilizada para desviar as atenções da decadência socioeconómica que a austeridade/ neoliberalismo impôs à Europa.

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