terça-feira, 17 de Abril de 2007

Ladrões de Bicicletas


Os dilemas trágicos que os indivíduos têm de enfrentar em resultado da falta de recursos e de poder tornam-se visíveis num belo filme italiano a que este blogue roubou o nome. Não somos cineastas, mas economistas. Acreditamos que a economia, como o cinema, pode ser um «desporto de combate». Temos partidos e ideologias diferentes e divergentes, mas convergimos no que hoje importa. Pleno-emprego, serviços públicos, redistribuição da riqueza e do rendimento, controlo democrático da economia fazem parte do caminho que queremos percorrer. Recusamos e combatemos as «evidências» e mitos que alimentam o actual consenso neoliberal. Acreditamos que o mercado sem fim é a ideologia transponível do nosso tempo. Mas uma coisa reconhecemos aos nossos adversários e a F. Hayek, o seu grande ideólogo: «nada é inevitável na existência social e só o pensamento faz que as coisas sejam o que são». Este blogue é portanto um espaço de opinião de esquerda, socialista e que pretende desafiar o actual domínio da direita na luta das ideias. Pedalemos então!

João, Nuno, Pedro e Zé

13 comentários:

Samir Machel disse...

Pedalem, pedalem. O rabito estará dorido nos primeiros dias de bicileta (verídico), mas depois acostuma-se...:)

Boa sorte para voces, e pelo menos o principio promete.

Abraco,

samir

Helena Romão disse...

Bemvindos à blogosfera!

Já vos acrescentei ao Luz de Lisboa e à minha lista de blogs a consultar regularmente!

baldassare disse...

Força aí!!!
Economistas de esquerda... fico contente!
Como sou aluno do 10ºano do agrupamento de economia (tema que adoro) e como sou de esquerda moderada, este será um blogue que visitarei regularmente.

JBilro disse...

Economistas e ladrões de bicicletas é uma assunção original...lol
- Aqui estou para acompanhar o vosso blog, bem como a vossa contribuição para o "bem comum". Participarei debatendo, quer concordando, quer discordando dentro dos limites da ética social.(...) Se tiverem alguma curiosidade ou interesse na opinião de terceiros, aconselho-vos o blog "Traídos à Nascença".
Apresento-me como vosso Leitor. Bem hajam.

Joaquim Pinto da Silva disse...

Contesto a existência de uma deriva neoliberal em Portugal, porque ... nunca a houve liberal sequer. Nós não estamos nos Estados Unidos, meus amigos. Pelo contrário, é o aparelho de Estado assaltado pela partidocracia que é o principal culpado da situação do país. A cleptocracia partidária é quem tem na mão as regras económicas que nos gerem. O inimigo do desenvolvimento em Portugal, neste momento, está instalado no governo central e nas autarquias.
Como defensor da liberdade e do socialismo (por esta ordem, que fique claro) creio que eliminar esta treta de que só porque se reforça o Estado (ou se dizem de esquerda, que afinal é o mesmo) o país melhorará... é mentira. Prefiro, de longe, para que o combate fosse claro e igual, ter um capitalismo claro e interessado (como é sua essência) do que esta coisa de ter uma salgalhada, uma mistura entre privado/Estado em que o inimigo se esconde e beneficia da divisão de forças da gente séria, solidária e pela liberdade. Não há neo-liberalismo nenhum em Portugal! Há, isso sim, demissão do papel regulador, limitador e distributivo do Estado em favor do geral para direccioná-lo em favor dos interesses onde os partidos estão entranhados, e por absoluta responsabilidade dos elementos afectos a esses partidos que têm andado pelo poder. Isso quer dizer que, em termos económicos estamos mais perto dum capitalismo de Estado do que dum liberalismo qualquer.
Em suma, para ser mais claro, prefiro, mas de longe!, um Belmiro de Azevedo que procura (e é seu dever) aumentar os seus negócios e lucros e a quem um Estado sério e social pode tributar e limitar nos seus aspectos "interesseiros" que esta mixórdia onde as grandes mandonas em Portugal, as EDPês,, CGDês, GALPes, etc, e as empresas municipais, ou as transmutadas "privadas" tipo Mota-Engil, fazem o que lhes apetece.

Com amizade

Miguel Sacramento disse...

Grande filme! E grande blog este. http://arsenaldosinvalidos.blogspot.com/

Anónimo disse...

caros Pedro, Jorge, Nunos, Ricardo, Josés, Alexandre e João,

Apenas porque sei bem que defendem o pluralismo (nomeadamente na concepção teorica e na opinião sobre economia), queria vos relembrar que é certo que existem senhoras economistas com pensamento heterodoxo que certamente convergem convosco no que diz respeito ao "...pleno-emprego, serviços públicos, redistribuição da riqueza e do rendimento, controlo democrático da economia...", portanto façam por combater este estigma absurdo e a ideia de que as mulheres são menos espertas ou disponiveis.

obrigada

Carlos Malaquias - São Joâo del Rei, Minas Gerais, Brasil disse...

Belo blog, foi realmente um achado!

Anónimo disse...

Encontrei este blog por acaso e gosto. De economia nada sei a não ser da minha.Sei no entanto que este modelo de sociedade está esgotado.Por mais que se PEDALE,não à volta a dar-lhe.O que nos resta então?Sinceramente não sei.só sei que vivemos num caos em que são sempre os mesmos a pagar as chamadas crises.Os que pouco têem,já pouco se lhes pode tirar a não ser que se lhes retire o misero salário e se lhes dê em alternativa um subsídio de refeição,para minorar a coisa.Esquerda,direita,ou direita esquerda,são sempre os mesmos a governar e as medidas são invariávelmente as mesmas com uma ou outra nuance.OS POBRES QUE PAGUEM A CRISE, PORQUE OS RICOS NÃO TÊEM DINHEIRO.

Epicuro disse...

Uma questão aos economistas: Qual é o custo do mercado numa economia?
Enquanto não souberem a resposta à questão não são economistas. Os merceeiros confundem economia com mercado. Confundir economia com mercado é típico da ignorância moderna, a idade do feudalismo mercantil. Na idade média (feudalismo bélico) havia economia e não havia mercado.

O mercado é uma delinquência como a guerra, existe para impor um poder coercivo. O mercado é uma manobra de poder, tal como a guerra. Na idade média tentava-se sobreviver à guerra, na idade moderna tenta-se sobreviver à ameaça do mercado. A guerra mata pela agressão física, o mercado mata pelo corte de acesso aos meios existentes.

A esquerda é como a direita, existe para servir o mercado, e não a economia, e menos ainda a população humana.
Não existem classes, existem apenas pessoas. Classes é uma invenção ignorante vinda do racismo social.
O mercado planificado é uma aberração económica (o mercado é um passivo económico) assente numa ignorância social (o mito das classes sociais). O mercado livre é uma aberração económica organizado em torno da delinquência (prática de apropriação dos meios existentes por técnicas de mercado).
Negociar é chantagear terceiros usando meios. A mercadoria é o meio sequestrado, pelos agentes de mercado, usado para chantagear terceiros e extorquir lucros (lucro é o nome dado ao saque obtido pela técnica de extorsão do negócio). Mercado é um campeonato de chantagistas, que usam os meios existentes para chantagear e saquear terceiros.

Economia não é delinquência, e todas as formas de delinquência são passivos económicos (práticas de mercado incluídas).

É altura de se sair do atraso de vida da modernidade.

Carpe diem

http://idadehodierna.blogspot.com

luisavpboleo@gmail.com disse...

Conheci-os há pouco tempo, mas já os admiro. Posso divurgar o vosso blogue no FB.
Penso que não, eram «pérolas a porcos» tem gente de mais e este blogue é para ser amado.
Sucesso e o meu apoio que é pouco.

Anónimo disse...


SPIEGEL: Mr. Ibrahimovic, is it true that you know a lot about bicycles?

Ibrahimovic: I think you could say that, yes.


SPIEGEL: What is the best way to steal a bicycle?

Ibrahimovic: That depends on the lock. It's easiest in the dark, when no one can see you. But it's not as exciting then.


SPIEGEL: Were you talented?

Ibrahimovic: I would say I was quite a talented thief. I swiped a lot of bicycles.

João Pimentel Ferreira disse...

pedalem, pedalem pois crê-se que o automóvel tenha um custo económico ao país de cerca de 10% do PIB. 1/4 das importações são carros e combustíveis e 1km de autoestrada custa 1 milhão de euros